quinta-feira, 8 de julho de 2010

Quem não gosta da Fúria?


1puyolConversa entre alguns jornalistas no centro de imprensa do Estádio Moses Mabida, após a Espanha vencer a Alemanha por 1 a 0, gol de cabeça de Carlos Puyol, e chegar à inédita final da Copa da África do Sul contra a Holanda. Tema em discussão: quem foi o melhor em campo na semifinal de Durban?
- Xavi Hernandez jogou demais. Ninguém jogou mais do que ele – disse um brasileiro, um tal de Lédio Carmona.
- Para mim, foi o Iniesta. Que monstro! Joga fácil. E aquele drible curto é desmoralizante – disse outro.
- Pedro entrou muito bem. Perdeu aquele gol, mas também joga pacas. Fico com ele – opinou mais um.
1podo- Puyol ganhou todas na defesa e ainda virou herói. Ele foi o cara – completou o último do quarteto.
Quatro opiniões, quatro votos. É sempre assim. A Espanha confunde pelo lado positivo quem a vê jogar. É tanta qualidade que qualquer um fica indeciso. Domingo, na final contra a Holanda, pode ser dia de Piqué, Xavi Alonso, Torres ou David Villa. Ou dos reservas David Silva, Cesc Fábregas e Fernando Llorente. Qualquer um pode virar herói ou personagem. A Espanha tem o time mais lúdico dos quatro últimos anos. Por sinal, nesse período ninguém jogou mais do que a Fúria. Ninguém ganhou mais do que La Roja. E ninguém perdeu menos do que esse timaço. 
xaviSim, sou fã da Espanha. Desde que essa geração se encontrou. E até nas roubadas, quando perdeu para os Estados Unidos, na semifinal da Copa das Confederações, ano passado, e para a Suíça, na primeira rodada desse Mundial. Resultado que, diga-se de passagem, fez a turma do contra e da dor de cotovelo soltar rojões de alegria achando que o time não passaria da fase inicial.
É mentira dizer que a Espanha é só ataque, toque de bola e romantismo. Poucas seleções do mundo se defendem tão bem. O time volta rápido e raramente permite o contra-ataque adversário. A ótima Alemanha foi mortal contra Austrália, Inglaterra e Argentina. Hoje, em Durban, quase não teve chances. Thomas Muller, suspenso, fez falta demais. Busquets parou Ozil. Klose e Podolski não recebiam bolas. E Schweinsteiger tinha que se preocupar com a defesa, ao invés de sair jogando, como nos jogos anteriores. A Espanha parou a Alemanha.
inisE se não fosse o já tradicional e, de certa forma, irritante preciosismo a Espanha poderia ter saído de campo com um placar mais confortável. Mas aí é pedir demais para um time que parece se divertir com suas próprias exibições. Time que mantém um mínimo de 58% de posse de bola contra a Alemanha, a Espanha ganhou três jogos decisivos por 1 a 0 na reta final da Copa (Portugal, Paraguai e Alemanha), quando poderia ter feito mais gols. E que consegue ser agradável até mesmo com essa média baixa de gols (sete em seis jogos). A Espanha encanta, seduz e empolga.
A Espanha é favorita contra a Holanda. Deve vencer a final inédita e ser o campeão inédito da vez. Algo saudável e caprichoso para o futebol mundial, que tem dado ótimos sinais nas últimas Copas. Em 2002, Brasil x Alemanha fizeram a final. Em 2006, França x Itália. E, em 2010, Espanha x Holanda. Nenhum país se repetiu. Cenário de equilíbrio, igualdade e de renovação. Uma sensação tão boa quanto a desse aprovadíssimo Mundial Sul-Africano.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

POSTAR COMENTÁRIO