Vitória de 2 a 1 sobre a Eslováquia em Durban coloca europeus como próximo obstáculo do Brasil na luta pelo hexa na África do Sul
O jogo no Moses Mabhida, em Durban, apresentou Robben como titular pela primeira vez na Copa. Recuperado de uma lesão muscular que chegou a colocar em dúvida sua presença no Mundial, o camisa 11 fez o gol da vitória, criou outras chances e deixou os colegas na cara do gol. Mostrou que, apesar de ainda não estar nas condições físicas ideais, continua sendo a figura central da equipe laranja. Em ótima fase, Sneijder, em bela jogada de Kuyt, ampliou. E, no último lance da partida, Vittek descontou em cobrança de pênalti.
A partida encerrou o sonho dos eslovacos, animados depois de mandarem a atual campeã, a Itália, de volta para casa na primeira fase. Os azarões deixam o Mundial com uma imagem positiva. Nesta segunda, eles encararam a Holanda de frente e tiveram chances claras para empatar a partida no segundo tempo.
Cada dia de recuperação, cada careta de dor, cada unha roída de ansiedade: tudo foi resumido em um segundo para Arjen Robben. Naquele segundo (um pouco mais, um pouco menos) que a bola demorou para sair do pé de Sneijder, genial, e atravessar o campo, Robben deve ter lembrado de tudo. Quando ele pegou a jabulani pela direita, de frente para dois marcadores, puxou para o meio e deixou Durica e Zabavnik perdidos, deve ter lembrado das dúvidas, dos temores, do risco de ver uma lesão no coxa tirá-lo da Copa do Mundo. E aí Robben chutou: no canto, matemático, no contrapé do goleiro Mucha, no único espaço que o adversário não poderia alcançar. O encontro da bola com a rede, com o atacante já correndo para dar liberdade à alegria trancada no corpo, foi um aviso: senhoras e senhores, Arjen Robben está de volta.
Robben não jogou contra a Dinamarca. Também não enfrentou o Japão. Diante de Camarões, só foi a campo por 20 minutos. Estava sendo guardado a sete chaves para a hora do “vamos ver”. E a Eslováquia viu. É difícil se colocar no lugar dos zagueirões eslovacos: olham para um lado, vêem o Kuyt; olham para o outro, aparece Robben; olham para a frente, surge o Van Persie; na armação, mais atrás, Sneijder. É de arrepiar.
Lá e cá, cá e lá. Por dez minutos. Em um jogo tão equilibrado, pesa a qualidade técnica do jogador. Sneijder, antes de tirar da cartola o lançamento de quase um campo inteiro para Robben, já havia perdido um gol. O meia recebeu de Van Persie e, de frente para a meta, bateu fraquinho, nas mãos de Mucha (assista no vídeo acima). Errou uma vez. Não erraria a segunda.
O diferencial na Holanda versão 2010 é o efeito camaleão, a capacidade de se adaptar ao clima da partida: se tem como jogar bonito, tenta jogar bonito; se não tem como, vai com pragmatismo mesmo. Os laranjas, quando fizeram o gol, não saíram pelo campo tabelando de calcanhar, escondendo a bola sob a chuteira, tentando dar aquele espetáculo tão relacionado ao futebol do país. Nada disso. Preferiram ser compactos. Resultado: a Eslováquia passou o resto do primeiro tempo correndo o tempo todo para lugar nenhum, sem realmente ameaçar.
Robben incomoda, goleiro salva e Sneijder marca
A Holanda deixou de matar cedo um adversário disposto a renascer. Não faltaram chances para o empate. Stoch, aos 21, fez o bom goleiro Stekelenburg espalmar para escanteio um chute da entrada da área. Na sequência, após a cobrança do córner, Vittek recebeu livre, de frente para a meta, e também parou no camisa 1 holandês. O artilheiro eslovaco teria outra oportunidade mais tarde, em chute por cima do travessão.
A Holanda vivia momentos de perigo. O técnico Bert van Marwijk resolveu agir. Aos 25 minutos, tirou Robben, cansado. Aos 35, Van Persie, mais uma vez discreto. Colocou Elia e Huntelaar. Na prática, não fez grande diferença. O panorama seguiu igual, com a Eslováquia tentando, em vão, repetir um milagre que não acontece todo dia.
O esforço da Eslováquia acabou sendo premiado nos acréscimos. Aos 47, Jakubko recebeu na área e caiu após tentar driblar o goleiro Stekelenburg. Pênalti marcado. Vittek cobrou bem, no canto direito. Mas nem teve tempo de comemorar o seu quarto gol no Mundial. O árbitro espanhol Alberto Undiano encerrou o jogo após a bola tocar na rede. Apito que confirmou que a Holanda está no caminho do Brasil.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
POSTAR COMENTÁRIO