quarta-feira, 30 de junho de 2010

Seleção em Porto Elizabeth

Seleção é recebida por cerca de
100 torcedores em Porto Elizabeth

Brasil enfrenta a Holanda na próxima sexta-feira pelas quartas de final

Por Márcio Iannacca, Thiago Correia e Thiago Lavinas Direto de Porto Elizabeth, África do Sul
A seleção brasileira chegou às 18h (de Brasília, 23h no local) a Porto Elizabeth. Apesar do frio, o time foi recebido com animação por cerca de 100 torcedores.
Eles, porém, tiveram de ver a equipe de longe, já que o esquema de segurança fez com que os atletas desembarcassem do ônibus já na porta do hotel. O isolamento, feito por aproximadamente de 40 policiais, deixou a torcida a cerca de 30m do time.
Porém, nem a distância e nem os 7° C reduziram a empolgação dos fãs. Mas o mais animado na festa verde e amarela era um sul-africano que se identificou como Thango. Misturado aos brasileiros, ele gritava, em inglês, 'Eu amo o Brasil' e 'Bem-vindos a Porto Elizabeth'.
Outra curiosidade é que um grupo com seis senhores holandeses passou pelo local pouco antes de a seleção chegar. Eles também se juntaram aos brasileiros e trocaram provocações, mas em clima cordial.
O Brasil enfrenta a Holanda na próxima sexta-feira, às 11h (de Brasília) no estádio Nelson Mandela Bay. O jogo é válido pelas quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Pela primeira vez desde 1930, quatro seleções da América do Sul estão entre as oito melhores da Copa do Mundo. Europa tem três representantes

Por GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro
A fase de quartas de final da Copa do Mundo da África do Sul foi formada nesta terça-feira e já é histórica. Pela segunda vez em 19 edições, os sul-americanos são maioria entre os oito melhores times do Mundial. Feito que só ocorreu em 1930. Brigam pelo título quatro equipes da América do Sul, três da Europa e uma da África. É quase uma repetição daquela Copa. A diferença é que na ocasião havia um norte-americano na disputa e não um africano. Na África do Sul, os confrontos que vão decidir os semifinalistas são Uruguai x Gana, Holanda x Brasil, Argentina x Alemanha e Espanha x Paraguai. Das cinco seleções sul-americanas que iniciaram a competição, apenas o Chile foi eliminado. Perdeu para a seleção brasileira nas oitavas por 3 a 0.
Montagem Messi. Forlán, Santa Cruz e Kaká Força sul-americana: Kaká, Roque Santa Cruz, Forlán e Messi continuam na briga pelo título na África do Sul (Foto: Editoria de Arte/GLOBOESPORTE.COM)
Só o duelo entre Uruguai e Gana será inédito. As equipes jamais se enfrentaram, nem mesmo em amistosos. Em contrapartida, dois encontros clássicos de gigantes prometem. Holandeses e brasileiros e argentinos e alemães são velhos conhecidos e vão se cruzar. Confrontos que serão carregados de emoção.
Com base nas estatísticas divulgadas pela Fifa e levando em conta as notas dadas aos atletas pela equipe do GLOBOESPORTE.COM, foi feita uma análise de cada uma das partidas. Conheça algumas das características das equipes e os jogadores que são considerados destaques.
Sexta-feira, 2 de julho - Estádio Nelson Mandela Bay, em Porto Elizabeth - 11h (de Brasília)
Brasil e Holanda se enfrentaram três vezes em Copas. A vantagem é verde e amarela. Em 1974, no Mundial da Alemanha, a fantástica Laranja Mecânica venceu nas semifinais por 2 a 0. Em 1994, nos Estados Unidos, a seleção deu o troco nas quartas: 3 a 2. Quatro anos mais tarde, na França, um novo embate com vitória brasileira. Pela semifinal, depois de um empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação, a vaga foi conquistada nos pênaltis (4 a 2).
Brasileiros e holandeses têm números parecidos na Copa 2010. O ataque do time de Dunga leva ligeira vantagem nos gols marcados: oito contra sete. As defesas também se equivalem. Foram dois gols sofridos para cada lado. No entanto, o Brasil desarma mais (33 a 19).
NÚMEROS DA HOLANDA NÚMEROS DO BRASIL
Comemoração gol Holanda, na Eslováquia
gol Brasil Chile
Gols marcados: 7 Gols sofridos: 2 Gols marcados: 8 Gols sofridos: 2
Total de chutes: 58 Total de chutes: 74
Chutes a gol: 29 Chutes a gol: 27
Faltas cometidas: 63 Faltas cometidas: 58
Faltas sofridas: 65 Faltas sofridas: 59
Desarmes: 19 Desarmes: 33
DESTAQUE: Sneijder (meia) - média de notas: 6,63 DESTAQUE: Luis Fabiano (atacante) - média de notas: 6,63
Sexta-feira, 2 de julho - Estádio Soccer City, em Joanesburgo - 15h30m (de Brasília)
Uruguai e Gana chegam às quartas de final fazendo história. Após 40 anos, a Celeste volta a figurar entre as oito melhores seleções do planeta. Do outro lado, pela terceira vez uma seleção africana alcança esta fase. Gana tem agora a missão de ir além, já que Camarões, em 1990, e Senegal, em 2002, foram eliminados justamente quando estavam nas quartas.
Será o confronto da raça contra a força. Os sul-americanos, com a dupla ofensiva Suárez e Forlán, têm um ataque mais positivo. Foram seis gols marcados contra quatro dos africanos. A defesa uruguaia também tem sido melhor: sofreu um gol, equanto Gana levou três. Comandados por Gyan e Prince Boateng, os Estrelas Negras aliam explosão física e velocidade.
NÚMEROS DO URUGUAI NÚMEROS DE GANA
Uruguai comemoração vitória oitava de final
Boateng gol Gana
Gols marcados: 6 Gols sofridos: 1 Gols marcados: 4 Gols sofridos: 3
Total de chutes: 55 Total de chutes: 71
Chutes a gol: 22 Chutes a gol: 20
Faltas cometidas: 48 Faltas cometidas: 67
Faltas sofridas: 65 Faltas sofridas: 38
Desarmes: 32 Desarmes: 28
DESTAQUE: Suárez (atacante) - média de notas: 7 DESTAQUE: Gyan (atacante) - média de notas: 6,88
Sábado, 3 de julho - Estádio Green Point, na Cidade do Cabo - 11h (de Brasília)
Ao lado de Brasil x Holanda, o clássico é sem dúvida a grande atração da próxima fase. A bicampeã Argentina e a tricampeã Alemanha decidiram a Copa do Mundo duas vezes. São cinco confrontos no total, com três vitórias dos europeus, uma dos sul-americanos e um empate.
A primeira vez que mediram forças foi no Mundial de 1958, na Suécia. Os alemães venceram por 3 a 1. A segunda ocorreu em 1966, na Inglaterra, e o resultado foi um empate sem gols. Vinte anos depois, no México, o jogo decidiu a Copa pela primeira vez. A Argentina de Maradona venceu por 3 a 2 e chegou ao seu segundo título. Em 1990, um reencontro. Em nova decisão, a Alemanha se vingou com uma vitória por 1 a 0 e sagrou-se tricampeã.

A próxima partida será uma reedição das quartas de final da Copa da Alemanha. No Mundial passado, os anfitriões encararam os argentinos e ficaram no empate por 1 a 1 no tempo normal e na prorrogação. Na disputa de pênaltis, o goleiro Lehmann defendeu as cobranças de Ayala e Cambiasso e os alemães venceram por 4 a 2.

Argentinos e alemães têm os ataques mais positivos entre os oitos sobreviventes. Os comandados de Maradona fizeram dez gols, enquanto a equipe do técnico Joachim Löw marcou nove. Se Messi, Tevez e Higuaín desequilibram do lado sul-americano, Müller, Özil, Podolski e Klose têm feito a Alemanha encantar não só pela tradicional eficiência tática, mas pelo futebol vistoso.
NÚMEROS DA ARGENTINA NÚMEROS DA ALEMANHA
Maradona comemoração Argentina
Muller Podolski  comemoração Alemanha
Gols marcados: 10 Gols sofridos: 2 Gols marcados: 9 Gols sofridos: 2
Total de chutes: 58 Total de chutes: 74
Chutes a gol: 29 Chutes a gol: 27
Faltas cometidas: 63 Faltas cometidas: 58
Faltas sofridas: 65 Faltas sofridas: 59
Desarmes: 19 Desarmes: 33
DESTAQUE: Tevez (atacante) - média de notas: 7,5 DESTAQUES: Müller e Özil (meias) - média de notas: 6,88
Sábado, 3 de julho - Estádio Ellis Park, em Joanesburgo - 15h30m (de Brasília)
Espanha e Paraguai se enfrentaram duas vezes em Copas do Mundo. A vantagem é da Fúria. Em 1998, na França, houve um empate sem gols na primeira fase. Quatro anos mais tarde, na Coreia do Sul e no Japão, as seleções caíram novamente na mesma chave. Os espanhóis venceram por 3 a 1.
Na África do Sul, a Espanha não tem como fugir do favoritismo. É a primeira vez que os paraguaios chegam tão longe. Não têm nada a perder. Ao contrário do time de Vicente del Bosque, que chegou favorito. Apesar do susto na estreia (perdeu para a Suíça por 1 a 0), a seleção se recuperou e eliminou Portugal nas oitavas.
O conjunto ofensivo é o grande trunfo da equipe para remar contra a fama de amarelona. Do meio para frente, só craques: Xabi Alonso, Xavi e Iniesta na armação, e Fernando Torres e Villa no arremate. Não vai ser tão simples combater a forte defesa paraguaia. Em quatro partidas, o time sofreu apenas um gol. E mais: foram 72 faltas cometidas pelos sul-americanos. Prova de que eles não deixam o jogo correr.
NÚMEROS DA ESPANHA NÚMEROS DO PARAGUAI
Espanha comemoração gol Villa
Barrios gol Paraguai
Gols marcados: 5 Gols sofridos: 2 Gols marcados: 3 Gols sofridos: 1
Total de chutes: 74 Total de chutes: 54
Chutes a gol: 29 Chutes a gol: 22
Faltas cometidas: 43 Faltas cometidas: 72
Faltas sofridas: 74 Faltas sofridas: 68
Desarmes: 21 Desarmes: 20
DESTAQUE: Villa (atacante) - média de notas:  6,75 DESTAQUE: Barrios (atacante) - média de notas: 5,88

Espanha fura bloqueio defensivo de Portugal e vence duelo ibérico

Villa marca no 1 a 0 na Cidade do Cabo, alcança Higuaín e Vittek na artilharia e classifica a Fúria para enfrentar o Paraguai nas quartas de final

O gol de Espanha 1 x 0 Portugal pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2010
David Villa garante os espanhois nas quartas de final do Mundial.
  • O gol de Espanha 1 x 0 Portugal pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2010
    O gol de Espanha 1 x 0 Portugal pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2010
  • Expulso! Ricardo Costa dá cotovelada em Capdevilla e recebe cartão vermelho, aos 44 do 2º
    Expulso! Ricardo Costa dá cotovelada em Capdevilla e recebe cartão vermelho, aos 44 do 2º
  • Llorente desvia de cabeça e bola passa rente à trave, aos 41 do 2º tempo
    Llorente desvia de cabeça e bola passa rente à trave, aos 41 do 2º tempo
  • Tira teima analisa gol da Espanha sobre Portugal
    Tira teima analisa gol da Espanha sobre Portugal
  • Villa arrisca de longe e Eduardo faz boa defesa, aos 31 do 2º tempo
  • Sérgio Ramos chuta cruzado e Eduardo coloca para escanteio, aos 24 do 2º tempo
  • Llorente tem a camisa rasgada e troca durante Espanha x Portugal
  • Gol da Espanha! Villa recebe de frente para o goleiro e abre o placar, aos 17 do 2º tempo
  • Villa chuta de fora da área e leva perigo ao gol de Eduardo, aos 16 do 2º tempo
  • Llorente mergulha de peixinho e Eduardo faz bela defesa, aos 15 do 2º tempo
  • Iniesta chuta da entrada da área, mas a bola bate na defesa e é recuada, aos 8 do 2º tempo
  • Hugo Almeida tenta cruza, a bola desvia em Puyol e quase entra no gol, aos 6 do 2º tempo
  • Coentrão cruza para Tiago que cabeceia para fora, aos 42 do 1º tempo
  • Hugo Almeida desvia de cabeça e bola sai pela linha de fundo, aos 38 do 1º tempo
  • Cristiano Ronaldo bate falta com força e a bola explode no peito de Casillas, aos 27 do 2º
  • Tiago chuta forte, Casillas espalma fraco e a bola quase entra no gol, aos 20 do 1º tempo
  • Fernando Torres pega de primeira e assusta o goleiro, aos 11 do 1º tempo
  • Villa dribla o zagueiro, chuta cruzado e Eduardo faz boa defesa, aos 6 do 1º tempo
  • Polêmica! Fernando Torres tenta o drible e é derrubado por Coentrão na área, aos 5 do 1º
  • Fernando Torres chuta forte e Eduardo faz boa defesa, a 1 do 1º tempo
  • Confira os hinos nacionais de Espanha e Portugal
No duelo ibérico mais importante da história, a criatividade prevaleceu sobre a eficiência defensiva nas oitavas de final. A Espanha dominou Portugal durante todo o jogo na Cidade do Cabo e, se venceu por apenas 1 a 0 nesta terça-feira, foi porque o goleiro Eduardo evitou um resultado mais amplo. David Villa marcou o gol da classificação, seu quarto na Copa do Mundo, e se juntou ao argentino Higuaín e ao eslovaco Vittek como artilheiros da Copa do Mundo.
Após um início ruim na competição, com derrota para a Suíça, a Espanha teve um desempenho mais compatível com seu status de campeã europeia. Agora vai enfrentar o Paraguai nas quartas de final, em partida às 15h30m (de Brasília) de sábado, no estádio Ellis Park, em Joanesburgo. Portugal, que sempre contou com grande torcida na Cidade do Cabo, despede-se da África do Sul após sofrer um único gol em quatro partidas. Xavi foi eleito o craque do jogo, em votação popular no site da Fifa. Do outro lado, Cristiano Ronaldo foi prejudicado pela falta de ousadia do time e teve atuação decepcionante.
Blitz espanhola no início
Diante do ótimo desempenho defensivo de Portugal neste Mundial, os espanhóis entraram em campo dispostos a não dar tempo para o adversário respirar e se arrumar em campo. Foi uma blitz. Em 12 minutos, tiveram 70% de posse de bola e concluíram quatro vezes a gol, em três delas obrigando Eduardo a espalmar a bola. A defesa lusa cometia erros bobos de marcação, permitindo até que Torres recebesse passe rasteiro numa cobrança de escanteio e virasse para chutar sem dominar a bola.
Até então apagado na competição, o atacante do Liverpool ainda sofreu um pênalti não marcado, numa das vezes em que ficou mano a mano com Coentrão na ponta. O placar eletrônico no estádio quase exibiu o replay, mas alguém deve ter se lembrado da recomendação da Fifa, de não repetir lances polêmicos, e cortou em cima da hora. Os 12 minutos iniciais foram um resumo da Espanha na Copa, com muita presença ofensiva e pouca eficiência na finalização. Portugal se segurou e ajustou sua marcação, não passando por outro susto até o intervalo. A Espanha virava a bola de um lado para o outro, buscava acionar Villa e Torres nas pontas, mas falhava no passe que acionaria os atacantes pelo meio.
Cristiano Ronaldo Portugal EspanhaCristiano Ronaldo pouco fez, foi bem marcado e se irritou com a arbitragem de Hector Baldassi (Foto: EFE)
Portugal demorou a acertar sua saída de bola, o que levou até Pepe a discutir com Eduardo, pedindo que o goleiro não desse mais chutões para frente. O meio-campo pouco criava, e no ataque Cristiano Ronaldo era bem marcado, irritando-se com a arbitragem de Hector Baldassi, que deixava o jogo correr. Seus companheiros tampouco ajudavam: Simão foi uma figura nula, e Hugo Almeida mais trapalhou do que ajudou.
Não por acaso, Liedson e Danny começaram no banco de reservas o aquecimento por volta dos 30 minutos. A essa altura, eles já haviam visto o time testar a insegurança de Casillas por duas vezes, em chute de Tiago e numa cobrança de falta de Cristiano Ronaldo. Outra boa possibilidade de ataque que surgiu, já no fim da primeira etapa, foi o cruzamento da esquerda para a área. Hugo Almeida não cabeceou em cheio no primeiro lance, e Tiago concluiu para fora no segundo.
Villa marca ao estilo da Fúria
O início da segunda etapa teve uma Espanha com sua tradicional paciência, trocando passes em busca de uma situação clara de ataque. Mais preocupado em defender, Portugal conseguiu apenas uma jogada isolada aos seis minutos, em que Puyol desviou de joelho um passe de Hugo Almeida e quase marcou contra.
Os dois técnicos resolveram mexer em seus times ao mesmo tempo, aos 13 minutos. Vicente del Bosque trocou Torres por Llorente, e Carlos Queiroz substituiu Hugo Almeida por Danny. A Espanha passou a ser mais contundente a partir daí. Logo aos 15, o próprio Llorente perdeu boa chance, numa jogada pouco comum da Espanha - um cruzamento de Sergio Ramos da intermediária. Em seguida, Villa arriscou de fora da área, com estilo, e quase marcou.
Espanha comemoração gol VillaMontanha de alegria: jogadores comemoram juntos o gol de Villa sobre os portugueses (Foto: Getty Images)
As chances se sucediam, e aos 17 minutos veio o gol. E bem ao estilo espanhol: uma rápida troca de passes, com Xavi usando o calcanhar para deixar Villa na cara de Eduardo. Também ao estilo espanhol foi a conclusão, sofrida: o atacante (em impedimento quase imperceptível) precisou chutar duas vezes para encontrar a rede, marcando pela quarta vez na Copa. Foi também a primeira bola que Eduardo buscou em sua meta, acabando com a invencibilidade da defesa de Portugal.
Em desvantagem no placar, os lusos pouco fizeram até o fim da partida para buscar o empate. Foi a Espanha, na verdade, que esteve mais perto de um gol. E só não fez o segundo porque esbarrou em Eduardo, que fez difícil defesa em chute cruzado de Sergio Ramos e espalmou com plasticidade uma bomba de Villa. Especialistas em manter a posse de bola, os espanhóis praticamente colocaram na roda o adversário, que não encontrou forças para uma marcação mais eficiente. E os portugueses ainda tiveram Ricardo Costa expulso no fim, por um lance na área com Capdevilla.

Nos pênaltis, Paraguai vence guerra contra Japão e alcança feito inédito

Após 0 a 0 no tempo normal e na prorrogação, paraguaios são perfeitos nas penalidades e chegam pela primeira vez às quartas de final de uma Copa

Confira a festa paraguaia e a tristeza japonesa após o pênalti convertido por Cardozo
Paraguai se classificou para as quartas de final da Copa do Mundo 2010 após vencer o Japão nos pênaltis por 5 a 3.
  • Confira a festa paraguaia e a tristeza japonesa após o pênalti convertido por Cardozo
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  • Os pênaltis de Paraguai 5 x 3 Japão pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2010
    Os pênaltis de Paraguai 5 x 3 Japão pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2010
  • Honda faz linda jogada, Tamada cruza, mas ninguém aproveita, aos 10 do 2º
    Honda faz linda jogada, Tamada cruza, mas ninguém aproveita, aos 10 do 2º
  • Endo cobra falta e Túlio Tanaka cabaceia para fora, aos 7 do 2º tempo da prorrogação
    Endo cobra falta e Túlio Tanaka cabaceia para fora, aos 7 do 2º tempo da prorrogação
  • Valdéz cabeceia para defesa de Kawashima, aos 4 do 2º tempo da prorrogação
  • Barreto toca por cobertura, aos 10 do 1º tempo da prorrogação
  • Honda bate falta e Villar espalma, aos 8 do 1º tempo da prorrogação
  • Paraguai tenta duas vezes, mas Japão se salva, aos 6 do 1º tempo da prorrogação
  • Barrios cabeceia nas mãos de Kawashima, aos 2 do 1º tempo da prorrogação
  • Nakamura chuta cruzado, mas a bola desvia e sai pela linha de fundo, a 1 do 1º
  • Endo cobra falta na área e Túlio Tanaka fura na frente do gol, aos 46 do 2º tempo
  • Michel Platini não se anima durante Paraguai e Japão
  • Goleiro Kawashima acerta joelhada no rosto de Túlio Tanaka, aos 22 do 2º tempo
  • Tanaka completa de cabeça e bola passa perto da trave, aos 17 do 2º tempo
  • Riveros cabeceia e Kawashima encaixa, aos 13 do 2º tempo
  • Benítez recebe na frente chuta, mas é travado por Nakazawa, aos 10 do 2º tempo
  • Nagatomo chuta de fora da área e Villar defende sem dificuldade, aos 8 do 2º tempo
  • Ortigoza tabela comBarrios, entra na área, mas é desarmado na hora do chute, aos 4 do 2º
  • Tira teima analisa lances do primeiro tempo de Paraguai e Japão
  • Matsui toca para Honda que chuta de primeira com perigo, aos 39 do 1º tempo
  • Bola sobra para o Santa Cruz, que finaliza de primeira, rente à trave, aos 27 do 1º tempo
  • Marcação apertada! Antes do escanteio, paraguaios e japoneses ficam juntinhos
  • Matsui arrisca de longe e a bola explode no travessão, aos 21 do 1º tempo
  • Barrios recebe na área, gira, chuta e Kawashima faz boa defesa, aos 19 do 1º tempo
  • Prancheta? Técnico Okada usa papel bloco de papel para fazer anotações durante jogo
  • Roque Santa Cruz cruza para área e Benitez se choca com Riveros, aos 6 do 1º tempo
  • Okubo chuta rente ao gol paraguaio, a 1 do 1º tempo
  • Confira os hinos nacionais de Paraguai e Japão
O sonho era comum: classificar o país pela primeira vez para a fase de quartas de final de uma Copa do Mundo. Com o mesmo objetivo, Paraguai e Japão se igualaram no tempo normal e na prorrogação do duelo desta terça-feira, no estádio Loftus Versfeld, em Pretória. E após mais de 120 minutos em que o 0 a 0 resistiu em um jogo sem grandes emoções, que chegou a fazer o presidente da Uefa, Michel Platini, cochilar na tribuna de honra, os paraguaios foram mais eficientes na disputa de pênaltis. A equipe converteu suas cinco penalidades e contou com o erro de Komano, que mandou a bola no travessão, para vencer a batalha por 5 a 3 e entrar para a história da nação.
O Paraguai vai decidir uma vaga nas semifinais da Copa do Mundo no próximo sábado, às 15h30m (de Brasília), em Joanesburgo, contra a Espanha, que bateu Portugal por 1 a 0 também nesta terça.

O triunfo guarani também permitiu uma marca histórica para o futebol sul-americano. Pela primeira vez, a região terá mais representantes que a Europa entre os oito melhores do Mundial (quatro a três). Além do Paraguai, Uruguai, Argentina e Brasil também seguem na Copa 2010. Alemanha, Holanda e Espanha representam o velho continente. Já a Ásia, com a eliminação japonesa, está fora do Mundial. A África segue com a seleção de Gana.
cardozo penalti paraguai x japãoMomento histórico para o Paraguai: Cardozo converte pênalti e comemora a vaga nas quartas (Foto: AP)

Para o duelo contra os japoneses, o treinador Gerardo Martino decidiu abandonar o esquema com três atacantes, procurando reforçar o meio-campo. Haedo Valdez perdeu o lugar no time, e Benitez ganhou a chance de iniciar a partida. Já Takeshi Okada, satisfeito com a atuação da equipe diante da Dinamarca (3 a 1), manteve os 11 que iniciaram o jogo que classificou o time para as oitavas.
E foram os orientais que mostraram mais atenção e iniciativa nos dez minutos iniciais. Logo após o pontapé inicial, Okubo roubou uma bola no campo ofensivo e arriscou a gol. Mandou a bola longe do alvo, mas mostrou aos paraguaios a disposição dos samurais azuis. Aos três, Komano também decidiu arriscar de longe. Acertou a meta, mas Villar defendeu com facilidade.
Facilidade que o Paraguai não encontrava para armar jogadas ofensivas. Nos 12 primeiros minutos, a seleção guarani teve 67% de posse de bola, mas errou 47% dos passes. E só marcou presença na área adversária em um lance atrapalhado. Após cruzamento na área, Benitez e Riveros se chocaram e ficaram estendidos no gramado. O Japão também abusava de errar passes. Mais da metade dos tentados no primeiro terço do jogo (51%). As falhas resultaram uma partida feia, com chutões de ambos os lados.
Com 20 minutos, a partida ganhou um pouco de emoção. Em dois lances em sequência, um para cada lado. Lucas Barrios tabelou com Vera, se livrou de Abe com um belo toque, mas concluiu fraco diante de Kawashima. O goleiro salvou com o joelho direito. O lance acordou o Japão, que foi ataque e acertou o travessão com um belo chute de fora da área de Mitsui (no vídeo acima).
A armação de jogadas seguiu como um problema grave para ambos os lados. E foi necessária uma bola parada para que uma chance de gol surgisse. Aos 28, Morel Rodriguez cobrou escanteio, e a bola sobrou diante de Roque Santa Cruz. O mais famoso atacante paraguaio encheu o pé, mas chutou à esquerda do gol, perdendo oportunidade de ouro para tirar o zero do placar e fazer o Japão afrouxar o seu disciplinado sistema defensivo. O mesmo ocorreu com o principal jogador japonês. Honda recebeu de Matsui aos 39 e, de frente para a gol, concluiu para fora.
Com o fim do primeiro tempo, os jogadores paraguaios se reuniram no círculo central. Bonet e Da Silva falaram com os companheiros, tentando incentivá-los para a segunda etapa. O mesmo fizeram os japoneses ao retornarem ao gramado.
As 'rodinhas' serviram para que os times voltassem mais ligados. Mas nos primeiros dez minutos, quem defendia prevalecia sobre os que atacavam. Túlio Tanaka e Nakazawa impediram conclusões de Ortigoza e Benitez. Do outro lado, Villar defendeu um chute de Nagatomo que desviou na defesa.
O Paraguai conseguiu superar a barreira adversária aos 14. Melhor opção ofensiva guarani, Morel Rodriguez cruzou da esquerda e encontrou Riveros na área. Mas o meia não passou pelo goleiro Kawashima, que defendeu firme, na segunda conclusão a gol da equipe sul-americana em todo o jogo.
Após o lance, Gerardo Martino decidiu retomar a formação tradicional do Paraguai, com Valdez no lugar de Benitez. E Takeshi Okada também procurou reforçar o ataque nipônico, com o atacante Okazaki no lugar do meia Matsui. Mas as dificuldades seguiram. O jogo praticamente ficou resumido a lançamentos longos e cruzamentos sobre a área. Uma partida tão desinteressante que fez o francês Platini dar uma cochilada no estádio (veja no vídeo ao lado).
A partir dos 35 minutos, os asiáticos demonstraram mais interesse em evitar a prorrogação, chegaram a ensaiar uma pressão, mas os sul-americanos souberam se defender. O que melhor fizeram na Copa até agora (apenas um gol sofrido em quatro partidas).
Com o tempo extra, o nível da partida melhorou. O Paraguai foi mais incisivo, mostrando que não desejava levar a decisão da vaga para os pênaltis, assustando mais o adversário em dez minutos do que em todo o período regulamentar. Foram três boas chances, em cabeçada de Barrios e conclusões de Valdez e Barreto. A última foi por cima do gol e as duas primeiras foram  defendidas por Kawashima. Do outro lado, Villar também precisou trabalhar, espalmando uma falta cobrada por Honda.
Na segunda etapa da prorrogação, as oportunidade de gol diminuíram. As únicas foram em cabeçadas de Valdez e Túlio Tanaka. Uma defendida por Kawashima. A outra, para fora.
komano perde penalti japão paraguaiO erro japonês: Komano cobra pênalti e acerta o travessão (Foto: Agência Reuters)
Nos pênaltis, a famosa concentração oriental foi superada. Barreto, Lucas Barrios e Riveros marcaram para o Paraguai. Após Endo e Hasebe balançarem a rede, Komano perdeu a terceira cobrança japonesa, carimbando o travessão guarani. Valdez e Honda acertaram, e coube a Cardozo, que substituiu Santa Cruz na prorrogação, selar o triunfo paraguaio e levar o país pela primeira vez para o seleto grupo dos oitos melhores de um Mundial.