domingo, 18 de julho de 2010

Na volta de Robinho, Fluminense bate o Santos na Vila e é vice-líder

Com Robinho de volta, o Santos parecia impossível. Neymar correndo sem parar, e Ganso como sempre distribuindo bons passes. No Fluminense, Diguinho não dava espaços, e Conca e Fred não deixavam de lutar na frente. Pelo estilo agressivo e ofensivo, o Peixe parecia mais perto da vitória e realmente esteve. Mas no duelo de muita correria e alternativas, o Tricolor, guerreiro que foi, deixou o gramado da Vila Belmiro vitorioso e vice-líder do Brasileirão: 1 a 0, gol de Alan. O time cada vez mais tem a cara e o espírito do técnico Muricy Ramalho e termina a nona rodada com 19 pontos, dois a menos que o Corinthians. O Peixe sofre a segunda derrota seguida, perde terreno e cai da quarta para a nona posição, com 12.




Na próxima quarta-feira, o Santos visita o Atlético-PR, na Arena da Baixada, às 21h50m. Na quinta, o Fluminense recebe o Cruzeiro, no Maracanã, às 21h.



Confira a classificação do Campeonato Brasileiro



Peixe arma correria, e Flu fecha a porta

diguinho fluminense robinho santosCena comum na Vila: Diguinho e Robinho em

disputa (Foto: Douglas Aby Saber / Agência Estado)



Foram dois meses longe. Robinho não pisava no gramado da Vila Belmiro desde o dia 19 de maio, quando o Santos venceu o Grêmio pela semifinal da Copa do Brasil. Dali em diante, o craque apresentou-se à Seleção Brasileira, jogou a Copa do Mundo da África do Sul e foi eliminado nas quartas de final. De volta, o atacante entrou em campo com o filho Robson Júnior no colo. O garotinho agarrou o pescoço do pai e quando a bola rolou Diguinho assumiu o posto. O volante do Fluminense não desgrudou do camisa 7. Não importava em que parte do campo ele estivesse.



Não era permitido cochilar. Aos quatro minutos, após cobrança rápida de falta de Paulo Henrique Ganso, Robinho avançou pela direita, invadiu a área e bateu à esquerda de Fernando Henrique. Parecia que o Peixe dominaria as ações, mas o Tricolor manteve a calma e se organizou. Muricy Ramalho deixou Gum, André Luis e Leandro Euzébio na marcação de Neymar e André, que não assustaram tanto. Além de marcar bem, o Flu também atacou. Conca lutou no meio e foi perigoso na bola parada. Fred buscou jogo e tentou de longe, aos 16. O chute foi defendido pelo goleiro Rafael.



Para tentar escapar da marcação, Dorival Júnior pediu que Neymar abrisse pelas pontas e criasse alternativas. Foi assim que ele teve liberdade, tentou invadir a área e foi derrubado por Diguinho quase sobre a linha. Na cobrança, Ganso buscou o ângulo esquerdo do goleiro e errou por muito pouco, aos 28. Era a terceira boa participação do camisa 10, que antes havia deixado Robinho em boas condições de marcar. Novamente o chute se perdeu pela linha de fundo.



Da metade do primeiro tempo em diante, o Santos foi superior, especialmente com Robinho pela direita. Neymar e André se movimentavam mais, e o Fluminense limitou-se a defender. O time não conseguia ter posse de bola e nem puxar contra-ataques. Só depois de muito tempo voltou a assustar, aos 42. Mariano partiu desde o meio-campo pela direita, tabelou com Fred e bateu sobre o gol de Rafael. Na resposta, André chutou colocado, e Fernando Henrique espalmou. Jogo corrido, de variações táticas, mas com placar em branco.



Santos martela, mas quem carimba é o Tricolor



Deixar o time do Santos trocar passes foi um risco que o Fluminense decidiu correr. Em poucos toques e com agilidade, a molecada chegava na cara do gol. Foi assim que André quase abriu o placar no início do segundo tempo. Após receber cruzamento da ponta direita, o atacante desviou de primeira, mas errou o alvo. Neymar foi perigoso pela esquerda. Aos oito, um chute cruzado assustou Fernando Henrique.



Além de ter de marcar, Diguinho e Diogo, principais destruidores do time, se preocuparam em evitar as faltas. Ambos receberam cartão amarelo e estavam pendurados. O Fluminense não conseguiu repetir os bons momentos do primeiro tempo, e Muricy decidiu mudar. Rodriguinho deu lugar a Alan, na tentativa de dar mais velocidade ao ataque tricolor. Quem apareceu primeiro foi Carlinhos. Aos 13, o lateral-esquerdo apresentou-se para tabelar com Fred, recebeu de volta e bateu para fora. Um minuto depois, Conca deu um lindo passe de calcanhar, Carlinhos chutou forte, e Rafael pegou.

Alan fluminense gol santosAlan entrou no segundo tempo e foi decisivo na vitória tricolor (Foto: Luiz Fernando Menezes / Photocamera)



Dorival também trocou peças na frente. André, até então apagado, saiu para a entrada de Marcel. Em seu primeiro lance, o atacante grandalhão fez o travessão de Fernando Henrique tremer. Um chute forte, de fora da área, assustou o goleiro. A partida ficou mais franca, e o Santos voltou a crescer, principalmente em jogadas de Robinho e Ganso. A equipe tricolor passou a ter mais espaços para contra-atacar. Na melhor chance que teve, o golpe foi fatal. Aos 32, Alan recebeu passe preciso de Mariano em liberdade e bateu na saída de Rafael: 1 a 0.



Se a pressão santista era grande, triplicou. Dois minutos depois de sofrer o gol, o time quase empatou. Wesley aproveitou o rebote de uma cobrança de falta e bateu de primeira. Fernando Henrique caiu para fazer linda defesa. Insatisfeito, Dorival tirou Neymar e Wesley e colocou Zé Eduardo e Madson. O empate quase saiu aos 38. Em jogada rápida, Zé Eduardo recebeu livre na direita e bateu cruzado. Robinho ainda apareceu na segunda trave para tentar aproveitar, mas mandou para fora. Na base do tudo ou nada, o Peixe martelou, mas não o suficiente para empatar. Guerreiro, o Flu se mantém firme no G-4 e de olho na liderança.

domingo, 11 de julho de 2010

Título inédito e sofrido: Espanha vence Holanda na prorrogação

Iniesta marca o único gol da partida e põe a Fúria no seleto clube dos campeões mundiais, agora com oito integrantes


Um título que nunca havia sido conquistado jamais viria facilmente. Ainda mais para uma seleção que sempre teve a fama de fracassar na hora H. Amarelona? Não. Sua cor é vermelha. E o título finalmente veio. Para a torcida da Espanha, pareceu que nunca viria. Noventa minutos que viraram 120. Ou melhor, 115, quando Iniesta estufou a rede e tirou da garganta um grito entalado há uma eternidade. Uma conquista com direito a 0 a 0 no tempo normal, 1 a 0 sobre a Holanda na prorrogação, desabafos, choro... A primeira Copa do Mundo na África viu nascer o oitavo campeão da história. A partir deste domingo, a Espanha pode colocar uma estrela no peito e exibir para o planeta que amarela é a cor da taça na mão dos seus jogadores.
A história dessa nova campeã mundial não começou no Soccer City. No início tinha outro técnico, Luis Aragonés, e quase os mesmos jogadores. O time vencedor da Eurocopa de 2008 transformou a Espanha na seleção a ser batida. O treinador mudou, entrou Vicente del Bosque, e voltou a decepção: fracasso na Copa das Confederações, derrota na estreia do Mundial contra a Suíça. Mas o time que melhor toca a bola no planeta deu a volta por cima. E termina 2010 no topo.
Para a Holanda, que já chegara à final em 1974 e 1978, fica a decepção de acumular seu  terceiro vice-campeonato em Copas do Mundo. E, desta vez, após vencer todos os jogos das eliminatórias e da trajetória na África do Sul.
Espanha Campeã mundia O goleiro e capitão Casillas ergue a taça ao lado de seus companheiros (Foto: Reuters)
As duas equipes começaram o jogo com as formações que venceram na semifinal. Assim, Fernando Torres continuou no banco da Espanha, e Pedro foi titular no ataque. E o artilheiro David Villa ficou preso entre os zagueiros, com pouca mobilidade. A Laranja contou com sua força máxima, do 1 a 11, com as estrelas Sneijder e Robben presentes.
A Fúria conseguiu ter mais posse de bola, do jeito que gosta, durante os primeiros 90 minutos: 57%. Mas não conseguiu marcar nos 12 chutes que teve, enquanto a Laranja tentou nove. Pela primeira vez desde 1994, quando o Brasil bateu a Itália nos pênaltis, a final terminou com 0 a 0 e foi para a prorrogação. Com o Soccer City lotado pela segunda vez no Mundial (84.490 torcedores, mesmo público da partida de abertura), Espanha e Holanda fizeram a final com o maior número de cartões amarelos da história: 13. Ainda teve um vermelho para Heitinga, na prorrogação.
Cinco cartões amarelos e poucas chances
Nigel de Jong entrada dura jogo Holanda x Espanha finalDe Jong dá uma voadora em Xabi Alonso: lance
valeu apenas o cartão amarelo (Foto: Reuters)
Quem esperava o futebol arte se decepcionou nos primeiros 45 minutos. Sabe aquela Espanha que toca bem a bola e a Holanda fatal nos contra-ataques? Não entraram em campo. As duas seleções deram vez a uma faceta mais violenta, que ainda não haviam mostrado na Copa: foram cinco cartões amarelos, sendo que pelo menos um merecia a expulsão - Heitinga deu uma voadora no peito de Xabi Alonso.
A Fúria chegou à partida com 81% de aproveitamento em passes certos. Mas no primeiro tempo teve 75%, errando toques bobos. A Laranja foi bem pior: 55% de acerto. A primeira boa jogada foi espanhola. Sempre perigoso nas cobranças de falta, Xavi cobrou uma na cabeça de Sergio Ramos, que, da marca do pênalti, obrigou Stekelenburg a fazer grande defesa, aos quatro minutos. Aos sete, a Holanda deu o primeiro chute a gol com Kuyt, de fora da área, nas mãos de Casillas.
Pela direita, a Fúria conseguia bons ataques e quase marcou um golaço aos dez: Iniesta achou Sergio Ramos, que entrou na área, pedalou para cima de Kuyt e bateu cruzado, mas Heitinga tirou perto da linha. Um minuto depois, em novo cruzamento da direita, David Villa pegou de primeira de canhota e acertou a rede por fora, fazendo alguns torcedores até comemorarem.
Aos 34 minutos, um lance inusitado quase resultou em gol para a Holanda. Após o jogo parar para atendimento médico, Heitinga resolveu devolver a bola para Espanha e chutou, do seu campo, em direção a Casillas. A bola quicou na frente do goleiro, que teve que se esticar para tocar nela e colocar para escanteio (veja no vídeo ao lado).
O time de Bert van Marwijk passou a gostar mais do jogo e a procurar o ataque na segunda metade do primeiro tempo. De pé em pé, a bola chegou a Mathijsen na área, aos 36, mas o zagueiro furou feio e desperdiçou boa oportunidade. Aos 45, mais uma boa troca de passes e Robben, do bico direito da área, arriscou e acertou o cantinho esquerdo de Casillas, que conseguiu salvar.
Oportunidades claras não tiram o zero do placar
As equipes voltaram para o segundo tempo sem substituições. Com dois minutos, a Espanha tentou sua famosa jogada de escanteio, que faz sucesso no Barcelona e valeu até a vitória na semifinal sobre a Alemanha: Xavi cruzou, Puyol subiu e encostou de leve na bola, mas Capdevila furou na pequena área.
A Laranja apostou nos contra-ataques e chegou duas vezes perto de Casillas. Mas Xavi chegou ainda mais perto do gol: em cobrança de falta aos nove, a bola passou rente ao travessão. Aos 15, Vicente del Bosque fez a primeira substituição da partida, mexendo no ataque: tirou Pedro e pôs Navas. Mas quem entrou de verdade no jogo foi Sneijder. Até então sumido, o camisa 10 criou a melhor chance até então: aos 18, o craque acertou um lançamento perfeito para Robben entre dois zagueiros espanhóis. O atacante do Bayern de Munique invadiu a área, cara a cara com Casillas, e chutou, mas a bola bateu no pé do goleiro e foi para escanteio.
Robben chute Holanda contra Espanha Sozinho, Robben perde chance de ouro, ao chutar para defesa de Casillas com o pé (Foto: Reuters)
Aos 24, foi a vez de a Espanha desperdiçar a sua melhor oportunidade na final: Navas cruzou da direita rasteiro, Heitinga cortou mal, e a bola ficou com Villa, na pequena área, mas o chute bateu na zaga e foi para escanteio, por cima. Aos poucos, a Espanha voltou a controlar o jogo. E a velha estratégia de apelar para o cruzamento de Xavi voltou a ser utilizada: aos 31, ele bateu cruzamento na cabeça de Sergio Ramos, que, livre e de cara para Stekelenburg, concluiu para fora. Um lance parecido ao gol de Puyol contra a Alemanha na semifinal.
Robben igualou o placar de oportunidades claras perdidas ao ficar novamente sozinho diante de Casillas, aos 38 minutos, depois de ganhar de Puyol na corrida. O goleiro saiu bem e evitou o drible, e o holandês reclamou de forma acintosa de falta do zagueiro, recebendo o nono cartão amarelo do jogo. Com os ataques em um mau dia, os 90 minutos terminaram com 0 a 0.
Iniesta marca e vira o herói
A prorrogação começou com o mesmo panorama da segunda etapa, com gols sendo desperdiçados. Fabregas, que substituíra Xabi Alonso, recebeu ótimo passe de Iniesta e chutou para defesa salvadora de Stekelenburg com o pé. No lance seguinte, foi a vez da Holanda: Casillas saiu mal do gol em cobrança de escanteio, e Mathijsen não aproveitou, cabeceando para fora.
Iniesta gol EspanhaIniesta comemora o gol da vitória, mostrando
camisa em homenagem a Dani Jarque (Foto: EFE)
A Espanha chegava com mais frequência e mais perigo. Iniesta tentou um drible em vez de um chute e perdeu boa chance. Jesus Navas preferiu o caminho oposto e concluiu mesmo com Van Bronckhorst  à sua frente. A bola bateu nele e na rede pelo lado de fora, arrancando um sorriso do goleiro Stekelenburg.
Os treinadores fizeram suas últimas substituições na tentativas de tirar o zero do placar. Bert van Marwijk pôs Van der Vaart e Braafheid nos lugares de De Jong e Van Bronckhorst, e Vicente del Bosque trocou o artilheiro Villa por Torres. O holandês ganhou um motivo para se preocupar quando o zagueiro Heitinga recebeu o cartão vermelho após falta em Iniesta.
O gol, que teimava em não sair, veio aos dez minutos do segundo tempo da prorrogação. Começou com jogada valente de Jesus Navas, que correu em direção ao ataque, teve sequência com troca de passes, até Fabregas dar a assistência para Iniesta chutar cruzado. Na comemoração, exibiu camisa em homenagem a Dani Jarque, capitão do Espanyol que morreu no ano passado, aos 26 anos. Casillas já chorava em campo mesmo antes do apito final, consciente de que fazia parte da história do futebol espanhol.
Puyol consolando SneijderPuyol consola Sneijder após a derrota holandesa na decisão no Soccer City (Foto: Reuters)

Sneijder reconhece: 'Espanha tem a equipe mais forte do mundo'

Apesar da derrota, craque diz que Holanda sai da Copa de cabeça erguida

O meia holandês Wesley Sneijder, um dos artilheiros da Copa do Mundo, com cinco gols, admitiu após a final da Copa do Mundo que a Espanha, agora campeã mundial, é a melhor seleção da atualidade. Segundo o jogador, destaque dos Laranjas na África do Sul, os espanhóis mereceram.
- A Espanha tem a equipe mais forte do mundo. Quando se perde uma final, a tristeza aparece. Mas é preciso reconhecer a superioridade do adversário - disse Sneijder.
Sneijder teve participação discreta na decisão. O jogador não conseguiu fugir da marcação e arriscou dois chutes de longe sem a menor necessidade. Ao fim do jogo, ele revelou que, apesar da tristeza, a Holanda deixa a África do Sul de cabeça erguida e agradecida pelo apoio dos torcedores.
- É duro perder uma final, mais ainda a de um Mundial. Agora não tenho vontade de pensar em nada, se não de voltar à Holanda para agradecer às pessoas que estiveram conosco desde o primeiro dia.

'Zebra', Forlán desbanca favoritos e é eleito o craque da Copa do Mundo

Camisa 10 uruguaio fatura a Bola de Ouro. Casillas é o melhor goleiro

Por GLOBOESPORTE.COM Direto de Joanesburgo, África do Sul
 O melhor jogador da Copa do Mundo não entrou em campo na final deste domingo. Quarto colocado com o Uruguai, o atacante Diego Forlán desbancou os favoritos de Espanha e Holanda e faturou a Bola de Ouro dada pela Fifa para o craque do torneio na África do Sul. ( Assista ao lado aos cinco gols de Forlán na Copa).

O camisa 10 uruguaio teve 23,4% dos votos dos jornalistas credenciados pela Fifa, superando Wesley Sneijder (21,8%) e David Villa (16,9%). Campeã mundial pela primeira vez, a Espanha ganhou o prêmio de "Fair Play", com 889 pontos no julgamento de "jogo limpo" da competição.

Capitão da Fúria e responsável por levantar a taça, Iker Casillas foi eleito o melhor goleiro da Copa. O alemão Thomas Müller ganhou dois prêmios: revelação e Chuteira de Ouro. O camisa 13 da Alemanha empatou com Forlán, Villa e Sneijder com cinco gols na artilharia, mas deu mais assistências (três), que é o primeiro critério de desempate da Fifa.
Para evitar polêmicas, a Fifa prorrogou neste ano a votação até o apito final da decisão do Mundial. Em 2002, por exemplo, Oliver Kahn ganhou o prêmio com os votos antes de falhar contra o Brasil. Dez jogadores concorriam à Bola de Ouro na África do Sul: Sneijder (Holanda), Robben (Holanda), Schweinsteiger (Alemanha), Forlán (Uruguai), Özil (Alemanha), Gyan (Gana), Messi (Argentina), Xavi (Espanha), Iniesta (Espanha) e Villa (Espanha).

sábado, 10 de julho de 2010

Em jogo de duas viradas, Alemanha bate Uruguai e fica em terceiro lugar


Na vitória por 3 a 2, Muslera falha duas vezes, Forlán acerta a trave no último minuto, e Klose vê do banco a manutenção do recorde de Ronaldo Fenômeno



Forlán bate falta no travessão, aos 47 do 2º tempo
Forlán bate falta no travessão, aos 47 do 2º tempo.

  • Forlán bate falta no travessão, aos 47 do 2º tempo

    Forlán bate falta no travessão, aos 47 do 2º tempo
  • Gol da Alemanha! 
Friedrich desvia e Khedira completa para a rede, aos 38 do 2º tempo

    Gol da Alemanha! Friedrich desvia e Khedira completa para a rede, aos 38 do 2º tempo
  • Boateng cruza para 
Kiessling que tenta a cabeçada, mas erra a bola, aos 34 do 2º tempo

    Boateng cruza para Kiessling que tenta a cabeçada, mas erra a bola, aos 34 do 2º tempo
  • Impedido Kiessling chuta,
 Muslera faz boa defesa, mas já não valia nada, aos 35 do 2º

    Impedido Kiessling chuta, Muslera faz boa defesa, mas já não valia nada, aos 35 do 2º


  • Forlán recebe livre pela esquerda e Butt sai bem para fazer a defesa, aos 19 do 2º tempo


  • Suárez arrisca de longe e Butt faz bela defesa, aos 16 do 2º tempo


  • Pérez faz falta em Schweinsteiger e recebe cartão amarelo, aos 15 do 2º tempo


  • Gol da Alemanha! Boateng cruza para Jansen empatar, aos 9 do 2º tempo


  • Gol do Uruguai! Forlán pega de primeira e vira o placar, aos 6 do 2º tempo


  • Suárez tem ótima oportunidade aos 3 do 2º tempo


  • Tira-teima analisa gol da Alemanha


  • Forlán bate escanteio fechado e quase faz olímpico, aos 45 do 1º tempo


  • Schweinsteiger cobra falta, mas a bola desvia em Lugano e vai para escanteio, aos 43 do 1º


  • Suárez recebe lançamento, entra na área e bate cruzado para fora, aos 41 do 1º tempo


  • Chuva não dá trégua e continua caindo forte no estádio Nelson Mandela bay


  • Gol do Uruguai! Cavani recebe livre na área e empara, aos 27 do 1º tempo


  • Cavani recebe na área e tenta de calcanhar para Friedrich salvar, aos 25 do 1º tempo


  • Suárez cruza e Forlán quase empata, aos 24 do 1º tempo


  • Gol da Alemanha! Schweinsteiger chuta com o goleiro dá rebote e Müller guarda aos 18 do 1º


  • Friedrich cabeceia no travessão, no rebote Muller tenta mas Godin afasta, aos 10 do 1º


  • Forlán cobra falta com perigo, aos 7 do 1º tempo


  • Fórlan cobra falta, Cacau coloca a mão na bola e recebe cartão amarelo, aos 6 do 1º tempo


  • Aogo faz falta dura em Pérez e recebe cartão amarelo, aos 4 do 1º tempo


  • Confira os hinos nacionais de Uruguai e Alemanha


  • Confira os vestiários de Uruguai e Alemanha
Com a chuva fina molhando a grama em Porto Elizabeth e um currículo já repleto de conquistas, a Alemanha bem que podia ter entrado em campo neste sábado disposta apenas a cumprir tabela antes do voo de volta para casa. Não foi bem assim. Do outro lado do campo, havia um Uruguai faminto pela vitória, e o que se viu na disputa do terceiro lugar foi um jogo de cinco gols e duas viradas. Com 3 a 2 no placar e um travessão salvador aos 48 minutos do segundo tempo, os alemães são os donos do bronze na Copa do Mundo da África do Sul.
O resultado no estádio Nelson Mandela Bay estica a fama do polvo Paul, que segue com aproveitamento de 100% nos palpites. Para a final deste domingo, às 15h30m, o molusco apostou na Espanha para bater a Holanda e se tornar a oitava campeã na história dos Mundiais.
jogadores Alemanha posados terceiro lugarO título não veio, mas os alemães festejaram muito o terceiro lugar neste sábado (Foto: Agência AFP)
O meia Müller, que voltou de suspensão e acabou sendo eleito o melhor da partida, abriu o placar para os alemães. Cavani e Forlán viraram para o Uruguai, Jansen empatou de novo, e coube ao volante Khedira fazer o gol da vitória. O goleiro uruguaio Muslera, herói nas quartas de final contra Gana, falhou duas vezes. Forlán teve a chance de empatar o jogo no último lance e forçar o tempo extra, mas cobrou uma falta no travessão e, logo em seguida, ouviu o apito final do juiz. A partida terminou, e Klose, de agasalho, não saiu do banco. Sentindo dores nas costas, o atacante não entrou e manteve seus 14 gols em Copas, um a menos que o recorde de Ronaldo Fenômeno.
klose uruguai x alemanhaKlose: sentindo dor nas costas, ele não entrou em
campo e ficou sem o recorde (Foto: Getty Images)
O jogo
Noite de sábado caindo, aquela chuvinha antes do jogo, disputa de terceiro lugar... apesar do cenário favorável para um jogo de compadres, a pinta de amistoso foi por terra logo aos cinco minutos, quando o alemão Aogo apresentou as travas da sua chuteira à canela de Perez. Cartão amarelo para abrir os trabalhos.
No lance seguinte, mais um, para o brasileiro Cacau, que desviou com a mão uma falta cobrada por Forlán. Apesar dos cartões, a Alemanha também sabe jogar bola. E ensaiou seu gol aos nove. Özil bateu escanteio, e Friedrich cabeceou no travessão de Muslera, que ainda salvou a Celeste na sobra, ao defender a conclusão de Müller.
thomas muller alemanha x uruguai voleioO meia Müller pega o rebote de Muslera e empurra a bola para a rede do Uruguai (Foto: AFP)
O meia e o goleiro, aliás, escreveriam mais um capítulo juntos dez minutos depois. Antes disso, no entanto, abram alas para uma bomba de Schweinsteiger. Aos 19, o camisa 7 se viu sozinho no meio de campo e – por que não? – soltou o foguete de pé direito. Botou a Jabulani para voar a 117km/h e, aí sim, houve o tal reencontro: Muslera bateu roupa, e Müller, sozinho, pegou o rebote para abrir o placar. Enquanto os zagueiros levantavam os braços para pedir um impedimento que não existiu, a Alemanha festejava o 1 a 0.
Aí foi a vez de o Uruguai começar a construção do seu gol. Aos 24, Forlán pegou uma sobra na área de cabeça, mas Mertesacker esticou a perna para tirar. Na cobrança do escanteio, Cavani desviou, e Friedrich tirou na pequena área.
Edinson Cavani comemoração Uruguai contra AlemanhaCavani (7) comemora seu primeiro gol na Copa,
após passe preciso de Suárez (em pé) - (Foto: AFP)
Aos 28, não era mais preciso ensaiar. Pérez, o carrapato que durante toda a Copa torrou a paciência dos adversários, deu um bote em Schweinsteiger, que estava distraído no meio de campo. Roubou-lhe a bola e, quase caindo, encontrou Suárez para puxar o contra-ataque. Opa, Suárez? Então abre parêntese.
(O camisa 9, que voltava de suspensão, foi vaiado do início ao fim do jogo, a cada vez que tocava na bola. Os sul-africanos não gostaram muito da defesa salvadora do atacante contra Gana. Para os donos das vuvuzelas, futebol deve ser jogado com os pés.)
Ok, fecha parêntese, porque foi justamente com o pé direito neste contra-ataque que ele rolou a bola açucarada para Cavani. Na saída de Butt, bastou um toque para balançar a rede: 1 a 1.
Com tudo igual em Porto Elizabeth, a chuva cuidou de esfriar o jogo. Só aos 41 o Uruguai teve outra chance, com Suárez sozinho na área chutando para fora. Estava de bom tamanho.
forlan alemanha x uruguai voleioDiego Forlán acerta o voleio e faz um belo gol para colocar o Uruguai na frente (Foto: Getty Images)
No início da segunda etapa, voltou a fome de gols. E a virada sul-americana veio com estilo. Aos cinco, Arévalo Rios tabelou com Suárez pela direita e cruzou para Forlán, que emplacou um lindo voleio no canto de Butt. Golaço.
A festa celeste só durou seis minutos, porque aos 11 Muslera entregou de novo. O goleiro saiu catando borboleta no cruzamento de Boateng, e Jansen cabeceou para o gol vazio. Tudo igual outra vez, 2 a 2.
khedira gol uruguai x alemanhaMuslera se estica, mas não alcança a Jabulani após
a cabeçada de Khedira (Foto: Getty Images)
Klose continuava no banco, e de fato estava sem condições de jogo, porque o técnico Joachim Löw foi lançando outros jogadores em campo. Primeiro foi Kiessling, que substitui Cacau. Depois, Kroos entrou no lugar de Jansen. Por fim, Tasci na vaga de Özil. Mas quem decidiu foi o volantão Khedira. Ele estava na hora certa e no lugar certo aos 37 minutos. Após o bate-rebate na área, cabeceou para o fundo da rede, sem chances para Muslera, e fez o gol da vitória alemã.
Kiessling podia ter ampliado para 4 a 2, mas perdeu uma chance incrível, sozinho no meio da área, isolando a bola por cima do gol. Oscar Tabárez, então, tentou sua última cartada ao lançar Loco Abreu no lugar de Cavani. Não deu certo. Quem teve a chance de ouro - ou de bronze - para empatar no último minuto foi Forlán. O camisa 10 cobrou falta aos 48, mas a Jabulani explodiu no travessão e, com ela, foi-se a oportunidade de pendurar a medalha no peito.
Era a senha para o mexicano Benito Archundia levar o apito à boca e dar o jogo por encerrado. Apesar da campanha surpreendente, os uruguaios não esconderam a decepção. Alguns chegaram a se ajoelhar, frustrados. E viram passar, correndo, alemães eufóricos com o terceiro lugar.
godin uruguai x alemanhaO zagueiro Godín esconde o rosto após a partida: decepção uruguaia em Porto Elizabeth (Foto: Getty Images)
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quinta-feira, 8 de julho de 2010

Na África, Brasil abre a jornada da Copa-2014 convidando o planeta

Com música, cores e alegria, Lula e Ricardo Teixeira iniciam a contagem regressiva para o próximo Mundial prometendo que será 'inesquecível'

Por Adilson Barros e Rafael Pirrho Direto de Joanesburgo, África do Sul
Foram 45 minutos de uma prévia do que o Brasil vai mostrar ao mundo daqui a quatro anos. Nesta quinta-feira, na cidade de Joanesburgo, na África do Sul, num evento comandando pelos presidentes da República, Luiz Inácio Lula da Silva, e da CBF, Ricardo Teixeira, o país abriu oficialmente a “Jornada para a Copa de 2014” com muita música, alegria, cores e com a promessa de que o próximo Mundial seja inesquecível e na esperança de deixar um legado social quando a bola parar de rolar.
A três dias da final da Copa de 2010, entre Espanha e Holanda, o Comitê Organizador da Copa de 2014 iniciou a contagem regressiva para o 20º Mundial da história. Após 36 anos, a competição retornará à América do Sul. Após 64 anos, o torneio voltará àquele que é conhecido internacionalmente como o país do futebol.
- Que o mundo se prepare para ser mais brasileiro a partir de 2014. “Brasileirar” vai ser o novo verbo proferido pelo planeta. Será inesquecível. Todos estão convidados... - disse Ricardo Teixeira.
Lula, presidente Brasil lançamento marca copa 2014O presidente Lula discursa no evento da Copa de 2014 em Joanesburgo (Foto: AE)
Para animar a festa, os grupos Barbatuques, Bossa Cuca Nova e a cantora Vanessa da Mata. O simples aperitivo com ritmo e felicidade já contagiou quem estava presente no Sandton Convention Centre, na região nobre de Joanesburgo, tirando palmas e até algum requebrado dos que estavam bem acomodados nas suas poltronas.
Depois de Ricardo Teixeira foi a vez do presidente da Fifa, Joseph Blatter, subir ao palco para discursar. Suíço, ele falou misturou quatro idiomas – inglês, francês, português e até espanhol – para falar da próxima Copa. Blatter exaltou os “amigos” Lula e Teixeira e também destacou a preocupação com o que o Mundial vai deixar de herança.
- O Brasil é um país que chama a atenção do planeta. Somos capazes de lidar com as diferenças e hoje apresentamos resultados econômicos, políticos e sociais. O povo brasileiro está feliz em abrir suas portas para o mundo. Teremos 190 milhões de pessoas prontas para fazer uma grande festa, cheia de música, alegria e organização - completou Teixeira.
- Ainda não terminamos a Copa de 2010, mas já estamos no ritmo do samba de 2014. O Brasil é o país do futebol. Não há um lugar no mundo que se identifique mais com esse esporte do que o Brasil. Cinco títulos mundiais estão lá, onde o futebol é uma religião. Chegou a hora de levarmos a Copa de volta à América do Sul e ao Brasil.
Logo marca copa 2014 brasilO emblema da Copa de 2014 foi apresentado
Joseph Blatter lembrou de uma conversa que teve com Lula há algum tempo e quando falaram do envolvimento social que um Mundial no Brasil poderia ter.
- O presidente está aqui e sei que queria ver a sua seleção (eliminada nas quartas de final pela Holanda) na decisão. Mas futebol é assim mesmo... Hoje me recordo de quando conversamos sobre futebol e educação. Futebol é educação. Futebol é importante para o futuro dos jovens. A Copa do Mundo vai desempenhar um importante papel social e econômico para o país. Chegou a hora de vivermos um outro idioma, chegou a hora de falarmos português, brasileiro... Desejo todo sucesso ao Brasil. Até breve...
O último a falar foi o presidente Lula. Figura admirada no cenário internacional, ele abusou da sua popularidade para gastar quase três vezes mais tempo do que a organização do evento tinha planejado. Lula fez piadinhas com o alemão Franz Beckenbauer, chamou Blatter de “companheiro”, cometeu gafe, citou até o Corinthians, seu clube de coração, e fez promessas de que a Copa no Brasil será ecologicamente correta e de que haverá muita fiscalização para controlar os gastos.
- Falaram que eu tinha cinco minutos, mas democraticamente como presidente a gente pode extrapolar. Não serei mais presidente a partir de 1º de janeiro de 2011 (quando terminará o seu segundo mandato), mas continuarei brasileiro, amante do futebol e podem contar comigo para o que for necessário. Quero que a gente faça a melhor Copa do Mundo que um país já foi capaz de fazer. E tenho certeza que o Brasil será capaz disso.
Ao se dirigir a Beckenbauer, presente à festa, o presidente brasileiro fez uma brincadeira, mas acabou se confundindo com as datas. Ao citar um episódio em que o Kaiser jogou com o braço quebrado, Lula falou que tinha sido em 1966, mas foi na Copa seguinte, na semifinal de 1970.
- Depois de mim e do Pelé, o Beckenbauer foi o maior jogador do mundo.
Lula também falou diretamente com o campeões mundiais Bebeto, Romário, Cafu e Carlos Alberto Torres e com o técnico Carlos Alberto Parreira, campeão dirigindo a seleção brasileira em 1994 e que comandou a África do Sul no atual Mundial. Ao treinador, ele fez questão de lembrar do título da Copa do Brasil que Parreira ganhou no seu Corinthians.
Para encerrar, Lula prometeu deixar encaminhado um processo para que a Copa do Mundo no Brasil seja verde e transparente. Usou o exemplo positivo que foi o Mundial na África do Sul, mas espera poder ver uma competição ainda melhor.
Antes mesmo de sair do cargo, o presidente destacou que deixou pronto dois decretos para o controle dos gastos. Também enalteceu o bom momento político e econômico que a nação atravessa, com a esperança de que em 2014 tudo esteja ainda melhor.
- Daqui a quatro anos, a nossa economia terá ainda mais relevância no cenário internacional. Tudo que se gastar poderá ser acompanhado por qualquer cidadão de qualquer parte do mundo pela internet. Também faremos uma Copa verde, mostraremos as nossas florestas e uma responsabilidade de sustentabilidade ambiental. Isso será prioridade. Queremos fazer uma Copa impecável. Será uma grande oportunidade para acelerar os investimentos e para melhorar as condições.
Nos vemos em 2014...

Quem não gosta da Fúria?


1puyolConversa entre alguns jornalistas no centro de imprensa do Estádio Moses Mabida, após a Espanha vencer a Alemanha por 1 a 0, gol de cabeça de Carlos Puyol, e chegar à inédita final da Copa da África do Sul contra a Holanda. Tema em discussão: quem foi o melhor em campo na semifinal de Durban?
- Xavi Hernandez jogou demais. Ninguém jogou mais do que ele – disse um brasileiro, um tal de Lédio Carmona.
- Para mim, foi o Iniesta. Que monstro! Joga fácil. E aquele drible curto é desmoralizante – disse outro.
- Pedro entrou muito bem. Perdeu aquele gol, mas também joga pacas. Fico com ele – opinou mais um.
1podo- Puyol ganhou todas na defesa e ainda virou herói. Ele foi o cara – completou o último do quarteto.
Quatro opiniões, quatro votos. É sempre assim. A Espanha confunde pelo lado positivo quem a vê jogar. É tanta qualidade que qualquer um fica indeciso. Domingo, na final contra a Holanda, pode ser dia de Piqué, Xavi Alonso, Torres ou David Villa. Ou dos reservas David Silva, Cesc Fábregas e Fernando Llorente. Qualquer um pode virar herói ou personagem. A Espanha tem o time mais lúdico dos quatro últimos anos. Por sinal, nesse período ninguém jogou mais do que a Fúria. Ninguém ganhou mais do que La Roja. E ninguém perdeu menos do que esse timaço. 
xaviSim, sou fã da Espanha. Desde que essa geração se encontrou. E até nas roubadas, quando perdeu para os Estados Unidos, na semifinal da Copa das Confederações, ano passado, e para a Suíça, na primeira rodada desse Mundial. Resultado que, diga-se de passagem, fez a turma do contra e da dor de cotovelo soltar rojões de alegria achando que o time não passaria da fase inicial.
É mentira dizer que a Espanha é só ataque, toque de bola e romantismo. Poucas seleções do mundo se defendem tão bem. O time volta rápido e raramente permite o contra-ataque adversário. A ótima Alemanha foi mortal contra Austrália, Inglaterra e Argentina. Hoje, em Durban, quase não teve chances. Thomas Muller, suspenso, fez falta demais. Busquets parou Ozil. Klose e Podolski não recebiam bolas. E Schweinsteiger tinha que se preocupar com a defesa, ao invés de sair jogando, como nos jogos anteriores. A Espanha parou a Alemanha.
inisE se não fosse o já tradicional e, de certa forma, irritante preciosismo a Espanha poderia ter saído de campo com um placar mais confortável. Mas aí é pedir demais para um time que parece se divertir com suas próprias exibições. Time que mantém um mínimo de 58% de posse de bola contra a Alemanha, a Espanha ganhou três jogos decisivos por 1 a 0 na reta final da Copa (Portugal, Paraguai e Alemanha), quando poderia ter feito mais gols. E que consegue ser agradável até mesmo com essa média baixa de gols (sete em seis jogos). A Espanha encanta, seduz e empolga.
A Espanha é favorita contra a Holanda. Deve vencer a final inédita e ser o campeão inédito da vez. Algo saudável e caprichoso para o futebol mundial, que tem dado ótimos sinais nas últimas Copas. Em 2002, Brasil x Alemanha fizeram a final. Em 2006, França x Itália. E, em 2010, Espanha x Holanda. Nenhum país se repetiu. Cenário de equilíbrio, igualdade e de renovação. Uma sensação tão boa quanto a desse aprovadíssimo Mundial Sul-Africano.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Carrascos do Brasil decidem contra Uruguai e Holanda é 1ª finalista


  Foto: AFP Robben e Sneijder foram novamente decisivos para a Holanda, que volta à final após 32 anos
Foto:

Com um futebol que envolveu a forte defesa do Uruguai no segundo tempo, a Holanda venceu o rival sul-americano por 3 a 2 nesta terça-feira, no Estádio Green Point, na Cidade do Cabo, e voltou a uma decisão de Copa do Mundo após 32 anos. "Carrascos" da Seleção Brasileira nas quartas, Sneijder (autor dos gols que eliminaram o Brasil) e Robben (envolvido no lance da expulsão de Felipe Melo) decidiram o jogo com um gol cada.


Diante de uma multidão laranja nas arquibancadas, a equipe comandada por Bert van Marwijk teve paciência para trabalhar a bola diante dos poucos espaços oferecidos pelo adversário. Antes dos gols de Sneijder e Robben, o capitão Van Bronckhorst havia aberto o placar em uma bomba de fora da área.
Forlán, autor do gol de empate uruguaio, sentiu a ausência do suspenso companheiro Suárez e, sozinho, não conseguiu reverter a situação. O outro tento do time celeste foi de Maxi Pereira, já no fim da partida.
Vice-campeã em 74 e 78, a Holanda tentará o título inédito contra o vencedor do confronto entre Alemanha e Espanha, que acontece nesta quarta-feira, em Durban. O Uruguai encara o perdedor na disputa do 3º lugar.
As duas equipes tiveram desfalques e foram obrigadas a mudar a escalação. Além de Suárez, os uruguaios não contaram com o lateral Fucile, suspenso, e com o zagueiro Lugano e o meia Lodeiro, lesionados; do outro lado, o lateral Van der Wiel e o volante De Jong ficaram de fora. O técnico holandês Bert van Marwijk fez trocas simples e manteve o esquema de jogo, enquanto Oscar Tabárez preferiu um time mais defensivo, com três homens de marcação no meio.
A primeira chegada de perigo foi holandesa, aos 3min. Após cruzamento da direita, o goleiro uruguaio Muslera saiu de soco e a bola sobrou para Kuyt na área, mas o atacante chutou por cima da meta. O time europeu teve mais posse de bola nos primeiros minutos, enquanto o Uruguai marcava no campo de defesa e tentava sair em velocidade no contra-ataque.
O padrão de jogo foi o mesmo até os 17min, quando o capitão Van Bronckhorst abriu o placar com um golaço de fora da área. O lateral esquerdo recebeu na intermediária e soltou uma bomba no ângulo de Muslera, sem chances de defesa.
O Uruguai tentou sair mais para o jogo depois de levar o gol, mas esbarrava na falta de qualidade dos meio-campistas e não conseguia fazer a bola chegar a Forlán e Cavani na frente. A partida seguiu morna até os 27min, quando Cáceres tentou dar uma bicicleta no ataque e acertou em cheio o pé no rosto de De Zeeuw. O volante holandês ficou inerte no chão por alguns instantes, mas logo voltou.
Sem inspiração, os uruguaios tentavam chegar na base da vontade. Aos 35min, Álvaro Pereira arriscou de fora da área, mas pegou fraco e facilitou a defesa de Stekelenburg. Dois minutos depois, Forlán recebeu cruzamento da esquerda e cabeceou para fora. A Holanda respondeu aos 39min em chute de Kuyt pela esquerda, mas Muslera segurou firme.
O gol de empate veio na jogada seguinte, sempre com Forlán. O camisa 10 dominou na intermediária, fez o corte para o pé esquerdo e arriscou de longe; a bola pegou uma curva e enganou Stekelenburg, que falhou no lance. Aos 43min, Forlán voltou a assustar em cobrança de falta, mas desta vez o goleiro holandês estava atento.
A Holanda voltou do intervalo com Van der Vaart no lugar de De Zeeuw, deixando o meio de campo mais ofensivo. Porém, foi o Uruguai quem chegou mais perto de marcar no começo. Aos 5min, Cavani dividiu com o goleiro Stekelenburg fora da área e tocou para Álvaro Pereira, que tentou por cobertura; porém, Van Bronckhorst salvou o gol na pequena área.
O jogo seguiu travado, com poucas jogadas trabalhadas ou lances claros de gol até os 20min. Forlán voltou a ameaçar na bola parada, soltando a bomba em cobrança de falta, mas Stekelenburg defendeu bem. No lance seguinte, Van Persie encontrou Van der Vaart em boa posição na área. O meia encheu o pé esquerdo, mas Muslera defendeu, e Robben concluiu para fora no rebote.
A Holanda voltou a ficar na frente aos 25min. Sneijder chutou da entrada da área, a bola desviou na zaga e foi morrer no cantinho do goleiro Muslera. Os uruguaios reclamaram de um impedimento de Van Persie, que não desviou a trajetória da bola, mas fez um movimento quando ela passou - o que o árbitro Ravshan Irmatov não interpretou como participação direta no lance.
Três minutos depois, Kuyt cruzou da esquerda e Robben subiu no meio da área uruguaia para desviar de cabeça e fazer 3 a 1. O Uruguai ainda buscou forças para diminuir nos acréscimos com Maxi Pereira, que bateu colocado de pé esquerdo após cobrança curta de falta, mas não foi o suficiente para chegar ao empate.

"Holanda nos acordou de um sonho", diz Lugano

"Holanda nos acordou de um sonho", diz Lugano
06 de julho de 2010

Cavani e Forlán lamentam o gol sofrido e colocam a bola no meio 
para recomeçar a partida Foto: AP Zagueiro se contundiu contra Gana e não pôde ajudar a equipe celeste na derrota para a Holanda
Foto: AP

Direto da Cidade do Cabo
Contundido, o zagueiro Diego Lugano viu do banco de reservas a derrota do Uruguai por 3 a 2 para a Holanda, nesta terça-feira, na Cidade do Cabo. Triste pela eliminação na semifinal da Copa do Mundo, o capitão da equipe celeste disse que os holandeses deram um duro golpe nas esperanças dos uruguaios.
"A Holanda nos acordou de um sonho. A derrota é muito dura de aceitar, pois chegamos bem perto de fazer história e chegar a uma final de Mundial", afirmou o ex-são-paulino na saída dos vestiários do Estádio Green Point.
Para a disputa do terceiro lugar, no próximo sábado, contra o perdedor do confronto entre Alemanha e Espanha, Lugano acredita que terá condições de entrar em campo. De acordo com ele, as dores decorrentes da torção no joelho direito deverão desaparecer nos próximos dias.
"Vou aproveitar o tempo de descanso para poder jogar a próxima partida. É desesperador ficar de fora de jogos importantes como estes", disse o atleta.

domingo, 4 de julho de 2010

CBF dispensa Dunga e anuncia novo treinador até o fim do mês

Novo treinador terá pela frente um "ciclo de seis anos" com a missão de comandar processo de renovação da Seleção Brasileira

Por GLOBOESPORTE.COM Rio de Janeiro
A CBF oficializou há pouco, em nota publicada em seu site oficial, a dissolução da comissão técnica que comandou a seleção brasileira na Copa de 2010. Em linguagem seca e objetiva, a entidade oficializou a dispensa do técnico Dunga e de seus auxiliares. O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, telefonou para Dunga para avisá-lo da dissolução da comissão técnica. Apesar de muita especulação (veja os cotados),Teixeira ainda não escolheu o nome do técnico – mas decidiu - e anunciou - que vai fazê-lo até o fim do mês.
Dunga desembarca em Porto AlegreDunga desembarca em Porto Alegre (Foto: EFE)
Além de Dunga, que desembarcou hoje em Porto Alegre dizendo que ainda iria conversar com o presidente da CBF, Ricardo Teixeira para falar sobre o futuro, foram demitidos também o auxiliar Jorginho, o supervisor Américo Faria (na entidade desde 1989) e o médico José Luís Runco (que estava na seleção desde 2002)
O novo técnico, segundo fonte da entidade, terá a importante missão de renovar a seleção. Analisando a idade das seleções na Copa, os dirigentes perceberam que o Brasil era uma das seleções mais velhas da competição. Enquanto a Alemanha usou nove jogadores sub-23 e a Argentina usou sete, o Brasil tinha apenas um – Ramires.
Mais – o novo técnico da Seleção terá um trabalho diferente – com um ciclo possivelmente mais extenso do que os tradicionais quatro anos que separam duas Copas. Por causa das Olimpíadas de 2016, a ideia da CBF é trabalhar para um ciclo de seis anos – que começará ainda este ano com os cinco amistosos programados para 2010 (o primeiro já no dia 10 de agosto contra os Estados Unidos em Nova Jérsei).
Esse “ciclo de seis anos” incluirá pelo menos uma competição importante por ano. Em 2011, haverá Copa America e a seletiva para os Jogos Olímpicos de 2012. Em 2012, as Olimpíadas. Em 2013, Copa das Confederações no Brasil. Em 2014, a Copa no Brasil. Em 2015, Copa America, também no Brasil (embora haja especulação de que ela poderia mudar para o Chile). E, enfim, as Olimpíadas do Rio em 2016.
Por conta disso – e da necessidade de renovação – ainda há uma dúvida na CBF sobre a contratação (ou não) de um técnico específico para a seleção olímpica – como já aconteceu no passado. Essa escolha vai depender do nome escolhido para comandar a seleção principal. Pode ser que o novo treinador queira comandar os dois times – ou escolher um nome de confiança para trabalhar os novos valores.
Veja a íntegra da nota oficial da CBF:
"Encerrado o ciclo de trabalho que teve início em agosto de 2006, e que culminou com a eliminação do Brasil da Copa do Mundo da África do Sul, a CBF comunica que está dispensada a comissão técnica da Seleção Brasileira.
A nova comissão técnica será anunciada até o final deste mês de julho."

Felipe Melo é xingado e se assusta com tumulto na chegada da seleção

Além do volante, Gilberto, Juan, Thiago Silva, Julio Cesar, Kleberson, o auxiliar Jorginho e o médico José Luiz Runco desembarcaram no Rio

Por Richard Souza, Victor Canedo, Leonardo Velasco e Guilherme Marques

Rio de Janeiro



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Felipe Melo faz cara de assustado no desembarque

da seleção (André Durão / Globoesporte.com)Os jogadores da seleção brasileira foram recebidos por cerca de 100 torcedores e um batalhão de jornalistas no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. Depois de dez horas de voo, o avião que partiu de Joanesburgo, na África do Sul, chegou às 2h05m (de Brasília) deste domingo, mas os atletas começaram a desembarcar apenas 50 minutos depois do pouso. Houve muita confusão e correria, principalmente quando o volante Felipe Melo apareceu. Alguns carros esperavam os jogadores, que saíram por dois portões diferentes.



A saída de Felipe foi a mais tensa. Escoltado por um segurança, ele aproveitou o momento em que os zagueiros Juan e Thiago Silva falavam com os jornalistas para deixar o local. O jogador era esperado pelo pai em uma caminhonete. O veículo foi cercado por fotógrafos, cinegrafistas e torcedores. Para abrir caminho, foi preciso acelerar e buzinar. Felipe Melo foi xingado, chamado de "vacilão" e se assutou com o tumulto.



Por outro lado, o goleiro Julio Cesar foi bem recebido. No momento em que saía, se emocionou com os aplausos e com o carinho das pessoas que o aguardavam no portão. O camisa 1 falou rapidamente com a imprensa e deixou o aeroporto em um carro particular. Chorando muito, foi consolado pela mãe.



- Estou muito emocionado. Agradeço à torcida brasileira. É fruto de três anos e meio de trabalho. A seleção resgatou o amor da torcida pela seleção - disse.



Apesar de muita confusão, o lateral-esquerdo Gilberto, primeiro a desembarcar, atendeu os jornalistas pacientemente. Depois dos atletas, foi a vez do auxiliar técnico Jorginho, que se irritou com a aglomeração em torno dele e da sua família. Ele pediu para que as pessoas saíssem da frente e empurrou o carrinho com suas malas para abrir passagem. Jorginho chegou a discutir com um jornalista que reclamava da falta de organização. A entrevista teve de ser feita no estacionamento.



O volante Kleberson e o médico José Luiz Runco também conversaram com a imprensa. O restante da delegação seguiu para São Paulo e de lá partem para as respectivas cidades.







Jorginho foi cercado por jornalistas e torcedores no desembarque (Foto: André Durão / Globoesporte.com)

Sofrido, brigado, dramático: Espanha bate Paraguai e pega a Alemanha


Só mesmo na África do Sul para uma zebra com listras vermelhas e brancas dar as caras. Só mesmo com muita insistência para ela ser abatida. A Espanha sofreu como nunca para superar o Paraguai por 1 a 0, com um gol chorado do artilheiro David Villa, neste sábado, no estádio Ellis Park, em Joanesburgo, e cravar presença nas semifinais da Copa do Mundo. O gol saiu na parte final de um segundo tempo emocionante, com pênaltis marcados, anulados e ignorados. O Paraguai, guerreiro, está eliminado. A Fúria pega a Alemanha na quarta-feira, às 15h30m (de Brasília) em Durban. Quem vencer estará no Soccer City, no dia 11, para decidir o título mundial contra o ganhador de Holanda e Uruguai.

Com o gol, David Villa assumiu a artilharia da Copa 2010, com cinco tentos. E chegou a 43 com a camisa da Espanha, a apenas um do recordista (Raúl). Mas balançar a rede foi complicado. O Paraguai, forte na defesa, resistiu a ceder a classificação aos espanhois. Agora, a equipe de Vicente del Bosque tem pela frente um repeteco da final da Eurocopa de 2008, quando deu Espanha, com gol de Fernando Torres, apagado no Mundial.
Villa Fabregas gol EspanhaMais uma vez, Villa (7) foi decisivo e classificou a Espanha para as semifinais (Foto: Reuters)
Com o resultado, a Espanha de 2010, no mínimo, igualou o melhor desempenho do país na história das Copas: o quarto lugar obtido no Mundial de 50. O Paraguai deixa o continente africano honrado com a inédita participação nas quartas de final. Mas sem conseguir fazer com que a modelo Larrissa Riquelme cumprisse a promessa de desfilar nua pela capital Assunção caso o time chegasse às semifinais.
Paraguai amarra a Espanha no primeiro tempo
Xavi recebeu pelo meio, perto da área, deu um toquezinho na bola com a perna direita e já girou para mandar de canhota, sem deixá-la cair, em um lance com a plasticidade típica da atual Espanha. A bola saiu por pouco. Mas não esteve na beleza do lance seu real simbolismo. A grande questão é que ele aconteceu aos 28 minutos do período inicial. E foi o primeiro chute da Fúria na direção do gol paraguaio.
Até ali, a Fúria girou de um lado para o outro sem ir a lugar algum. É bem verdade que a campeã da Europa já viveu dias mais criativos do que na Copa 2010, mas o que complicou mesmo foi a organização defensiva do Paraguai. O técnico Gerardo Martino fez seis modificações para o duelo deste sábado. Na defesa, no meio-campo e no ataque. A ideia, nenhuma surpresa, era dar ainda maior compactação a um time que foi a campo tendo sofrido apenas um gol em quatro jogos. Do trio ofensivo, só sobrou Valdés. Roque Santa Cruz e Lucas Barrios foram para o banco.
O curioso é que a força defensiva do Paraguai teve efeito duplo: primeiro, claro, barrou o talento espanhol; segundo, deu tranquilidade para os sul-americanos arriscarem uma ou outra escapulida ao ataque. Na frieza dos números, deu mais Paraguai no ataque durante o primeiro tempo. Os dois times arremataram quatro vez a gol. Mas a única bola que foi na meta, foi do time guarani.
Jonathan Santana, logo com um minuto, recebeu pelo meio e mandou a gol. Casillas pegou. Riveros, aos oito, cabeceou para fora. Alcaraz, aos 20, teria marcado se tivesse dois centímetros a mais de altura. Santana, aos 34, viveu situação igual. Faltou muito pouco para alcançar a bola em cruzamento de Morel Rodriguez. Aos 45. Valdez recebeu de Cardozo e mandou chute cruzado, para fora. Pouco antes, aos 41, a torcida chegou a comemorar. O atacante mandou a bola para rede, mas o lance foi anulado por impedimento de Cardozo, que interferiu na jogada ao tentar cabecear a bola centrada na área (confira no vídeo ao lado).
A Espanha teve o controle da bola, como costuma fazer, mas faltou infiltração. Fernando Torres começou bem e terminou mal três jogadas. Villa e Xavi não tiveram o brilho de outros jogos. E a Fúria ouviu o apito final do primeiro tempo com o sentimento de que havia algo de errado por ali.
O destino em dois (ou três, ou quatro) pênaltis
O conceito de loucura no futebol parece ter sido criado especificamente para o segundo tempo do jogo entre Espanha e Paraguai. Contam-se nos dedos de uma só mão as partidas de Copa do Mundo com acontecimentos tão estranhos quanto os da etapa final da partida deste sábado no Ellis Park. Com destaque para dois pênaltis. Ou três. Ou, melhor ainda, quatro!
O primeiro foi a favor do Paraguai. Piqué agarrou Cardozo na área aos 13 minutos. Depois das reclamações da Fúria, o próprio camisa 7, autor do último gol guarani na disputa por penalidades máximas contra o Japão, nas oitavas de final, partiu para o tiro. E deu Casillas. O goleiro se adiantou, caiu no canto esquerdo e abafou o sonho paraguaio. Dois espanhois invadiram a área antes da cobrança, mas ficou por isso mesmo.
Após a defesa, a Espanha partiu para o ataque e deu o troco na mesma moeda. A diferença é que o pênalti de Alcaraz em Villa foi um tanto forçado pelo atacante. A revolta, desta vez, foi dos paraguaios. Choro em vão. Lá foi Xabi Alonso para a cobrança: bem batida, no canto, sem chances para o goleiro. O problema é que novamente houve invasão espanhola à área. E, dessa vez, o árbitro guatemalteco Carlos Brates viu mandou a cobrança ser repetida.
Lá foi Xabi Alonso de novo para a segunda cobrança, que ali virou a terceira do jogo. E desta vez deu Villar. O goleiro caiu no canto esquerdo, espalmou a bola e, um segundo depois, na disputa pelo rebote, atingiu as pernas de Fábregas. Pênalti claro! Melhor: pênalti em uma cobrança de pênalti! E o juiz mandou seguir...
Aí foi a vez de os espanhois quase arrancarem os cabelos. Quando o lance foi repetido no telão do estádio, os reservas quase invadiram o campo, irados. E o jogo, com quatro pênaltis, dois perdidos, um anulado e um ignorado, seguia no 0 a 0.
Virou jogão. O Paraguai pareceu perceber que era possível vencer um dos favoritos ao título mundial. A Fúria não engoliu o(s) pênalti(s) perdido(s). A partida ficou mais aberta, com arrancadas de lado a lado, com possibilidades que invariavelmente acabavam frustradas no fim. O que era morno no primeiro tempo virou fervura no segundo.
E quente mesmo foi David Villa, artilheiro, oportunista, matador. Aos 38, Iniesta fez fila na entrada da área e passou para Pedro, que arrematou na trave. A bola se ofereceu para Villa. A bola beijou (de novo!) o poste esquerdo, rolou por cima da linha, tocou no direito e entrou.
Fúria enfurecida, fera ferida! A Espanha entrou em êxtase com o gol depois de tanto sofrimento.
Mas os guerreiros guaranis não se entregaram. O treinador Gerardo Martino mandou Lucas Barrios a campo no lugar do volante Cáceres. E o duelo continuou quente. Aos 43, Casillas salvou novamente a Espanha. Após soltar um chute exatamente de Barrios, o goleiro se recuperou e salvou com o pé esquerdo uma conclusão à queima-roupa de Santa Cruz (no vídeo ao lado). Na sequência, os espanhois partiram em contra-ataque, e Villar defendeu conclusão de Villa.
Foi o último capítulo de um dos jogos mais malucos - e emocionantes - que uma Copa do Mundo já viu.

sábado, 3 de julho de 2010

Podem comprar televisão, hermanos: Alemanha goleia o time de Maradona

Com gol mais rápido da Copa do Mundo e chocolate, seleção alemã vence com autoridade por 4 a 0 e elimina mais uma vez a Argentina nas quartas

Por Thiago Dias e Adilson Barros Direto da Cidade do Cabo, África do Sul
A torcida argentina comemorou bastante a eliminação do Brasil na sexta-feira, mas a festa dos hermanos não durou mais que um dia. Desta vez, a Alemanha não precisou de pênaltis e nem de sofrimento, como em 2006: sem dar chances ao time de Diego Maradona, os alemães aplicaram um chocolate inapelável por 4 a 0 na Cidade do Cabo e estão classificados para a semifinal da Copa do Mundo. Como disse o diário “Olé” para os brasileiros, os argentinos agora também podem comprar uma televisão para assistir ao restante do Mundial no conforto do sofá de casa.
Maradona desfilando sem roupa no Obeslico em Buenos Aires? Fica para a próxima.
Thomas Müller comemoração  Alemanha contra ArgentinaFesta alemã na Cidada do Cabo: os homens de preto atropelaram a Argentina nas quartas (Foto: Reuters)
Na última Copa, a Alemanha também eliminou a Argentina nas quartas de final, mas com sofrida decisão por pênaltis. No Green Point, não deu nem tempo de roer as unhas: Müller abriu o placar antes do terceiro minuto de jogo e fez o gol mais rápido do torneio na África do Sul. Klose, que agora está a um gols do recorde de Ronaldo, marcou duas vezes, e Friedrich também deixou o seu.
A torcida argentina era maioria no estádio, mas quem riu por último foi o meia Michael Ballack, que ficou fora da Copa por contusão, e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, que compareceram ao Green Point. Melhor jogador do mundo em 2009, Lionel Messi teve atuação apagada e termina o torneio sem nenhum gol marcado.
A seleção de Joachim Löw agora espera o vencedor de Paraguai x Espanha, ainda neste sábado, para saber quem será seu rival na próxima quarta-feira, em Durban, pela semifinal. Um dia antes, Uruguai e Holanda decidem na Cidade do Cabo o primeiro finalista.
O jogo
A Alemanha parecia com pressa para abrir o placar. Parecia, não. Realmente estava. Com exatos 2m38s no relógio, Schweinsteiger cobrou falta, Otamendi ficou parado, Müller subiu e tocou de cabeça. A bola bateu na perna do goleiro Romero, que estava mal posicionado, e entrou: 1 a 0, gol mais rápido da Copa do Mundo.
Oficialmente, a Fifa arredonda para cima e considera a marca como 3 minutos. O inglês Gerrard fez aos 3m31s contra os Estados Unidos, mas na súmula aparece 4. Agora, Müller está ao lado de Higuaín (Argentina), David Villa (Espanha), Vittek (Eslováquia) e Sneijder (Holanda) no topo da artilharia do Mundial, com quatro gols.
O 1 a 0 no placar deixou a Alemanha ainda mais confiante e deu uma pane na Argentina. Principalmente pelo lado direito da defesa de Maradona. Perdido em campo, Otamendi levava um baile de Podolski. O lateral argentino ainda levou cartão amarelo aos 11, por falta em Friedrich no campo de ataque. Um exemplo de que nada dava certo para os hermanos aconteceu aos 16: Tevez tentou puxar contra-ataque, mas se enrolou, perdeu a bola e a chuteira, que ficou no gramado. Na beira do campo, o Pibe olhava de braços cruzados. O que fazer?
Na arquibancada, a maioria argentina resolveu “jogar” aos 20. Os torcedores pulavam e cantavam, mas os jogadores não correspondiam em campo. Culpa da Alemanha, que tinha uma defesa muito bem montada por Joachim Löw e era perigosa na frente. Como aos 23, quando Heinze se enrolou ao tentar cortar um passe, Müller invadiu a área e rolou para Klose, que bateu por cima.
Maradona argentina chateadoEm sua primeira Copa como técnico, Maradona volta para casa nas quartas de final (Foto: agência Reuters)
Apagado, Messi passou a procurar mais o jogo. Maradona viu que Otamendi era o ponto fraco e mandou Di Maria sair da esquerda e ir para direita. Assim, o lateral parou de subir ao ataque e Podolski ainda tinha que se preocupar com a marcação do novo jogador do Real Madrid. A tática deu certo e a Argentina passou a ter mais chances. A melhor foi aos 36. Müller tocou a mão na bola na entrada da área e recebeu amarelo. Na sequencia da falta mal cobrada por Messi, Tevez recebeu sozinho de Heinze na área e cruzou para Higuaín tocar para o fundo da rede. Mas quatro argentinos estavam em impedimento na jogada, bem anulada.
Em 45 minutos, a Alemanha deu dez chutes, mas apenas um na direção do gol: justamente o que resultou no 1 a 0 da primeira etapa. Os argentinos deram nove e tiveram 55% de posse de bola.
Quem voltou com pressa no segundo tempo foi a Argentina. Mas sem a mesma pontaria de Müller no início da partida. Aos três, Di Maria arriscou de longe a bola passou rente à trave alemã. O empate não saiu por pouco, alguns centímetros.
Com a vaga na mão pela vantagem no placar, a Alemanha se fechou ainda mais, apostando nos contra-ataques. E deixou a Argentina ser dona da bola, como Maradona pediu a semana inteira. Mais passe, mais chutes dos hermanos. Para fora, nas mãos de Neuer e até na cara do adversário: aos 17, Di Maria cruzou da direita, Maxi Rodriguez ajeitou com o peito e Tevez soltou a bomba, que explodiu no rosto de Mertesacker.
 Os hermanos ainda tiveram duas chances, com Higuain e Tevez, que pararam nas mãos do goleiro. Se a principal arma argentina não dava certo – o toque de bola -, a maior falha voltou a aparecer: o lado direito da defesa. Na velocidade, a seleção de Lahm roubou a bola pela esquerda do ataque aos 23 e, sentado, Müller tocou para Podolski, que invadiu a área e rolou para Klose fazer seu 13º gol em Copas do Mundo, passando Pelé (12) e ficando a dois do recordista Ronaldo (15).
O tiro de misericórdia saiu aos 29. Mais uma vez pelo frágil lado direito da zaga argentina, que até nem contava mais com Otamendi, substituído logo após o gol por Pastore. Schweinsteiger fez o que quis pelo setor, driblou três argentinos na sequência, entrou na área e rolou para o zagueiro Friedrich pegar de primeira no bico da pequena área: 3 a 0.
Ainda havia tempo para mais um. A desgraça argentina se consolidou com mais um gol de Klose, aos 44, para carimbar de vez o passaporte dos hermanos de volta para casa. A Alemanha avança cheia de moral para as semis. Adeus, Argentina. Até 2014, se conseguirem a vaga para jogar no Brasil.
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